sábado, 20 de julho de 2013

EXISTÊNCIA



 

EXISTÊNCIA

Dentro (dos olhos) Deus acena
pra toda gente
e, simplesmente, ficamos a ver navios

Hideraldo Montenegro


 https://clubedeautores.com.br/book/148379--INDECIFRAVEL#.VG4jRsnILkg

ALQUIMIA

 
ALQUIMIA

Todas as formas informam à mente
os limites das coisas
e dentro (da mente) as formas se contorcem
e contorcem a mente
e levam os homens ao inferno ou paraíso

Hideraldo Montenegro

 

sábado, 13 de julho de 2013

EPITÁFIO

EPITÁFIO


Terra, minha terra
eis que me devolvo:
tua poesia, teu ovo.

Devolvo-te os sorrisos escrotos
meus sonhos, meus brotos
minhas esperanças, meus mortos
e, agora, o meu inútil corpo

Devolvo-te o cheiro
destes eucaliptos que acenam
despedidas e boas vindas
aos filhos errantes, retirantes
nesta ilha latifundiária
e agreste de oportunidades
e sonhos delirantes

Devolvo-te tuas verdes colinas
o Societé, a Praça da Bandeira
as rochas, insensíveis, indiferentes
as Sevis, as Brandinas
os servis, a falsidade,
a dor de dente
o dinheiro pouco
para pagar a cantina
teu odor, tua latrina
o futuro e o presente

Devolvo-te o Poço da Nega
o schistosoma
a Travessa da União
a política coma
o engenho, o mel
e a ausência do pão

Devolvo-te o peito,
o sangue derretido, o veio
o clamor, o povo sofrido
o cordão umbilical, o pleito

Devolvo-te teus governantes
que fingem festas, festivais
votos e sorrisos bacanais
embora deixem deserdados
os irmãos natais

Devolvo-te o teu povo
que abre-se fabril
a outros abraços operários
- cicatriz anil
tecida em pele, pavio

Devolvo-te minhas noites,
meus açoites, o salário canavial,
a hipocrisia, a água batismal,
a pia, teu vazio cultural
teu sangue, teu corpo
tua gente, teu sal

Devolvo-te os puteiros
a tua falta de perspectiva,
e a pátria amada sepultada
pela enxada do coveiro
o grito incontido
o escritor, o tinteiro

Devolvo-te tudo
exceto tua moral
Belge Bresiliene
pacífica, morenense
e teu involuntário
abraço final
- cana de açúcar
teu bem, teu mal

A Terra dos Eucaliptos
finalmente receptiva
e acolhedora
abre a sua boca voraz
para me receber
quando não estou
mais nem aí
e não quero saber

Hideraldo Montenegro 


http://www.clubedeautores.com.br/book/145704--HUMANO_CANTO

quarta-feira, 19 de junho de 2013

LITERATURA INDÍGENA

[...]
“A valiosa obra de Graça Graúna se insere nesta essência ética por, pelo menos, duas razões fundamentais. Primeiro, o enfoque analítico é a literatura/ cultura ameríndia brasileira e segundo, implícito neste processo descolonizador, a contribuição para a constituição de um corpus crítico crescente sobre esta literatura/cultura num país onde os indígenas constituem a margem interior da diferença cultural.
[...]
O trabalho de Graça Graúna como escritora e crítica literária, portanto, abre uma zona de contato em que a oralidade e a escrita indígena brasileira constituem um hífen enquanto fissura e fusão – uma différance – que suplementa e subverte o discurso monocultural do cânone crítico-literário. Desta forma, contribui para a construção de uma encruzilhada crítica e literária brasileira caracterizada por uma verdadeira pluralidade cultural, identitária e étnico-racial.”

Roland Walter (UFPE/CNPq)



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