terça-feira, 17 de setembro de 2013

livro de poemas INDECIFRÁVEL



Caro Hideraldo

Peço desculpas, somente hoje tive um certo para ler seu livro. E mesmo assim, a vôo de pássaro.

Por isso e por não ser expert em poesia, não vou ser leviano e me meter a crítico.

Mas encontrei um poeta. E sua poesia, própria, de uma subjetividade cultivada (como deve ser), roçando questões metafísicas (cheio de perguntas, como deve ser), com grande força imagética.

Na minha capenga opinião, o livro vale, apesar de altos e baixos. Há versos maravilhosos (exemplos: “liberdade é uma desconstrução”, “aos domingos tiro feriado de mim”) e aqui acolá um verso óbvio (também só por exemplo: “o céu rompendo limites”)

Alguns poemas me tocaram, revelam plenamente o poeta que você é, como, ainda por exemplo: Despedida, Epitáfio, Recife, Gestação e, principalmente, o antológico Identidade.

Parabéns e boa sorte,

com um abraço cordial

Homero Fonseca
Jornalista e escritor. Ex-diretor editorial da revista Continente Multicultural, do Recife. Bacharelado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, foi diretor de redação da Folha de Pernambuco, editor-chefe do Diario de Pernambuco, repórter das sucursais do Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil e do Jornal do Commercio  e Diário da Noite, do Recife.

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https://clubedeautores.com.br/book/148379--INDECIFRAVEL#.VZ65wj5Viko
 


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

lançamento romance VENCENDO O GRANDE INIMIGO

A LUTA ENTRE O EU EXTERIOR E O EU INTERIOR
VENCENDO O GRANDE INIMIGO
O HIPERREALISMO NA LITERATURA

Entramos neste romance como tivéssemos fotografado uma conversa de botequim, sem retoques, sem maquiagens.
Sentimos como tivéssemos flagrado uma cena ou um pensamento. As personagens não são construídas com a intenção de nos levar posteriormente a um acontecimento pré-definido.
Continuamos longe do desenrolar da leitura como um espectador que vai julgar as idéias que se desenvolvem numa discussão que assistimos. Porém, isto não significa que esta leitura nos deixe indiferentes, ao contrário. Nela percebemos um realismo explícito já na própria forma que o romance é escrito, sem truques e floreios literários. Há, na verdade, uma depuração do discurso e desenvolvimento do enredo.
Os personagens e pensamentos nos aparecem conhecidos com suas limitações e dúvidas. Não encontramos aqui personagens meramente ficcionais, inventados, estereotipados. São banais, comuns. Eles são colagens, recortes de uma realidade que não está além, mas em nosso cotidiano. Eles são nós mesmos ou estão à nossa volta, trazendo suas dúvidas existenciais tão comuns a todos nós.
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capítulo I - O TABULEIRO
B
ispo 6, casa do rei. Sequer pensou. Fez a jogada automaticamente. Estava reclinado sobre o tabuleiro, com os óculos na ponta do nariz, a barba para fazer, os cabelos despenteados e precisando de uma boa lavada. Era um ateu que desprezava os bens materiais. Ou seja, era um materialista que não dava importância a matéria. O mero consumismo, para ele, era uma agressão ao espírito humano.
Jogou e permaneceu na mesma posição com a mão direita no ar, como uma fera que está atocaiando a presa, esperando a minha próxima jogada. Fiquei indignado. Afinal, havia levado dez minutos pensando em minha jogada. Perdi o interesse.
Já não estava mais ali. Meus pensamentos começaram a divagar. Para variar, Helena ocupou a minha mente. Aliás, bastava ficar quieto e ela surgia para mim como um fantasma. Todas as horas em que aparecia algum espaço Helena ocupava a minha mente. Não eram pensamentos dos mais elaborados. A sua imagem me aparecia se desnudando. Ah, o desejo! Era tomado completamente! Tudo era reduzido a isto: a nudez de Helena. Nada importava, nem mesmo sua inteligência e doçura. Era simples assim: a completa nudez de Helena......
Número de páginas: 68
Edição: 1(2013)
Formato: A5 148x210
Coloração: Preto e branco
Acabamento: Brochura c/ orelha
Tipo de papel: Offset 75g
Versão impressa | R$ 23,45
PARA COMPRAR O LIVRO IMPRESSO ACESSE:


segunda-feira, 22 de julho de 2013

INDECIFRÁVEL



 

INDECIFRÁVEL

O poema que não escrevi
é feito de carne
tem nome largo
e palavras de forma

O poema que não escrevi
dorme comigo todos os dias
revira meus sonhos
torna-se insônia

O poema que não escrevi
come, bebe, faz sexo
e, às vezes, sai pelo nariz

O poema que não escrevi
vive na lama, no lixo
no luxo, na cama

O que poema que não escrevi
é macho, puta, bicha louca
-desenho que não sai da boca

O poema que não escrevi
é leve, é pluma
pesado tiro
é chumbo, é morte
é casulo, é seda
é sorte que não chega

O poema que não escrevi
Inscreve-se em mim
como cicatriz
como uma dor, um parto
um sapato apertado

O poema que não escrevi
Jamais escreverei

Hideraldo Montenegro

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