quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

SINOPSE





SINOPSE


A perda cabe dentro do coração como uma bomba. H é uma bomba que estoura e continua a bagunçar. Os estragos se fazem longo e longe.

Como recuperar pedaços arrancados do coração? Não dá. Vamos continuar assim, faltando pedaços e, futuros estragos, já não causam tantos danos.

Dentro da gente sempre ficam fumaças que nunca se apagam e qualquer fagulha, uma explosão. Saímos explodindo na vida a cada dor repetida.  Não conseguimos enfraquecer a causa e ficamos, cada vez mais, debilitados. Não olhamos para frente, mas para baixo, acompanhando cada passo por receio – perdemos o horizonte - depois nos horizontalizamos definitivamente.

A dor destrói a história que poderia ser traçada.

A morte do ego é uma cruz insuportável que precisamos encarar antes dos finalmente ou ele vai se tornar uma venda no tempo e torna-se um peso que nos atravessa como uma lança, arrancando-nos sangue, carne, esperança. Enredamo-nos em nossa própria dor e ela conta o percurso que não foi. E, a história é esta.

Hideraldo Montenegro

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

DENTRO DO PRAZER


DENTRO DO PRAZER

O biscoito na boca do garoto brinca
no céu como o paraíso nascesse na língua
no sabor divino de degustar a existência
e se desfaz e se faz no gosto
do wafer recheado de morango
e os olhos do menino acendem alegrias
vindas lá do prazer de Deus
por estar dentro do garoto

Hideraldo Montenegro


sábado, 28 de junho de 2014

RECIFE

 
RECIFE
Recife e seu banho de águas
Recife mergulhado nas águas
bebe pontes e brilhos
e o sol se reparte nas águas
em estrelas mil
Recife repartido
em pontes que atravessam
a vida da gente
 
Recife repartido
em gente
-pingente no pescoço
e grito no asfalto
não disfarça a criança
que salta na vida
pelas pontes que unem
todos nós
ao mesmo mangue
 
Recife sangue
da gente
pelas veias
das pontes
que se constroem
nos rios da cidade
que nos habita
 
Hideraldo Montenegro

REFLEXO




REFLEXO

A cidade tatua no peito
os percursos dos pés

A cidade invade o leito
das águas que deságuam
em viés
os sonhos das flores
que convidam os insetos
ao beijo das cores

A cidade me convida
a sonhos de luzes
que se repartem
nas águas no brilho
dos meus olhos


Hideraldo Montenegro

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